terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NOVO SISTEMA DE CONSULTA DO DFTRANS

Em 2013, como um projeto piloto, o DFTrans lançou um sistema de consulta que permitia visualizar no mapa o itinerário de algumas linhas de ônibus da Região Administrativa de Brasília. Em abril de 2014 as informações do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal foram lançados no serviço “Como Chegar” do Google, como foi noticiado neste blog (http://www.robertoambiental.blogspot.com.br/2014_04_01_archive.html). Hoje, o DFTrans lançou um novo sistema de consulta, que permite visualizar no mapa o itinerário de todas as linhas de ônibus do Distrito Federal, os pontos de parada ao longo da rota, as tabelas horárias e outras informações.

No site do DFTrans (http://www.dftrans.df.gov.br/) clique no banner “Horários e Itinerários”.
No buscador de linha, você pode escolher consultar pelo código da linha ou digitando a origem e o destino.
Uma relação de linhas é listada. Clique na linha de seu interesse.
O percurso da linha é apresentado, juntamente com as paradas ao longo da rota.
Nos painéis à direita são apresentadas informações a respeito da linha e a tabela de horários.
Clicando em “Mostrar Todas Paradas?”, todos os pontos de parada do DF são apresentados. Você pode utilizar as ferramentas de zoom para aproximar ou afastar o mapa, bem como pode arrastar em qualquer direção. Despendo do zoom aplicado, é possível diferenciar o sentido de ida ou de volta da linha.
Nos próximos dias a ferramenta também estará funcionando em tablet e smartphone.
Parabenizo a todos os envolvidos no projeto, especialmente ao servidor Renatto Attiê Lima. A depender dessa equipe, o usuário do transporte público do DF verá muitas melhorias.
São inúmeros os desafios do Transporte Público Coletivo do Distrito Federal. Mas, o sucesso desse projeto, realizado com poucos recursos e sem o necessário apoio, nos deixa esperançosos de que a mudança se aproxima.

Aproveito a oportunidade para desejar a todos um Natal de paz e um 2015 próspero. Que em 2015 possamos dar passos largos na mobilidade urbana da nossa cidade.

domingo, 28 de setembro de 2014

AS LIÇÕES DAS ÁRVORES DO CERRADO


As árvores do cerrado são sábias. Aos que as sabem interpretar, elas ensinam grandes lições. No auge da estação seca, o azul imenso no céu anuncia que as chuvas ainda tardam chegar. Alguns elementos da paisagem desaparecem em meio à esbranquiçada névoa seca. A noite fria contrasta com o dia escaldante de modo inacreditável. No calor do dia, o fogo parece brotar do chão ou surgir espontaneamente na vegetação rasteira. No meio desse cenário, nem tudo é desolação. Durante a impetuosa seca é que as árvores do cerrado mostram o que têm de melhor. Florescem e dão frutos. Explodem em cores e beleza. Comunicando sabedoria aos que podem entender suas mensagens.
As árvores realizam inúmeros serviços ambientais, mas florescer e dar frutos são a sua principal missão. Aquilo que as árvores do cerrado têm de mais importante para fazer, elas realizam no momento mais difícil. Quando florescem e dão fruto em meio à seca, as árvores do cerrado nos ensinam que é na dificuldade que precisamos dar o melhor de nós. A dificuldade transforma homens e mulheres comuns em homens e mulheres de elevado valor. Apresentar nosso melhor em tempo de bonança é fácil. Legal mesmo é mostrar nosso valor diante da dificuldade. E você, na dificuldade esmorece ou na dificuldade você é mais forte? Você deixa que suas misérias se manifestem ou mostra o que há de bom em você?
Quando nos fortalecemos diante da dificuldade, nos tornamos alento para aqueles que estão próximos de nós. Fazemos com que outras pessoas também consigam vencer as dificuldades. De forma semelhante, as árvores do cerrado aliviam os efeitos da seca em outros seres vivos, oferecem sombra e frescor, alimentam com o néctar de suas flores, com a polpa e as sementes de seus frutos. Como gratidão, recebem dos outros seres a polinização e a dispersão de suas sementes. Um lindo processo colaborativo em que todos saem ganhando, o que nem sempre acontece nas sociedades humanas, nas quais, geralmente, um é explorado por outro.
Quanto mais a seca avança, mais diminui o nível dos lençóis freáticos. Diante da escassez da água, as árvores do cerrado precisam lançar raízes mais profundas. Como é a raiz que nutre e sustenta a planta, raízes mais profundas significam árvores mais fortes, mais seguras. Será que nós, diante da escassez, permanecemos mais firmes naquilo que acreditamos ou abandonamos nossas crenças e valores? Quando as condições externas são desfavoráveis, as árvores do cerrado deixam de crescer para fora e crescem para dentro. Será que na escassez nos tornamos introspectivos, humanamente e espiritualmente melhores?
Parte das espécies do cerrado, antes de florescerem, perdem todas as folhas, como é o caso do ipê amarelo. No período de seca, retiram os nutrientes das folhas e conduzem esses nutrientes para os tecidos que, naquele momento, são mais importantes. Sabem que, logo que possível, poderão restituir as folhas. As folhas que caem adubam o solo e permitem outros indivíduos possam se nutrir, especialmente os mais jovens, que não possuem raízes profundas e buscam nutrientes apenas na superfície. Assim como as árvores, que perdem as folhas para se concentrar no que mais necessário, será que sabemos priorizar as atividades mais importantes de nossa vida? Como as árvores que jogam as folhas fora, será que somos desapegados o suficientes para jogar fora velhos conceitos e paradigmas? Será que conseguimos nos desfazer daquilo que nos é supérfluo ou do que já não precisamos mais? Será que, assim como as árvores que nutrem aos outros com as folhas caídas, temos a consciência de que aquilo que está nos sobrando não é nosso, ou seja, que aquilo que já não é importante para nós pode ser essencial a outrem, pode suprir a necessidade do outro?
Logo após as primeiras chuvas, a vegetação do cerrado muda completamente a sua fisionomia. Os tons desbotados, cinzas e pastéis rapidamente dão lugar a um verde vibrante. A vegetação do cerrado tem uma enorme capacidade de se recompor. Isso nos ensina, que depois de atravessarmos um momento ruim, não adianta ficar lamentando e prolongando a tristeza. É preciso levantar a cabeça, esquecer as coisas ruins e trabalhar com afinco para transformar as coisas ruins em coisas boas.
As árvores do cerrado, como qualquer outra árvore, conseguem viver com muito pouco. Tornam-se enormes, vivem centenas de anos, apenas com aquilo que podem obter ao seu redor. Quanto a nós, pelo contrário, nem sempre estamos satisfeito com o que temos. Estamos sempre a considerar que só podemos ser feliz com algo que ainda não possuímos.
Há cerca de 380 milhões de ano as árvores passam a existir. Retiraram o carbono da atmosfera tornando o mundo habitável para outros seres. Alimentam outras espécies. Servem como moradia ou como amparo. Retiram a água do subterrâneo e devolvem para a atmosfera, contribuindo para as chuvas. Filtram as impurezas do ar e da água. Quietas e discretas, sua existência torna melhor a existência dos outros. E, mesmo na dificuldade, sem dizer uma palavra, muito nos ensinam.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

OS BIOINDICADORES DE ALGO ERRADO NA CAESB



Algo cheira mal na Caesb e não é só o esgoto. Até a natureza apresenta bioindicadores de que há algo de errado na empresa. Diz-se que um ser vivo é um bioindicador quando o seu crescimento desordenado ou o seu desaparecimento indica um desequilíbrio ecológico. Por exemplo, o crescimento desordenado da mamona no Cerrado normalmente indica degradação do solo, e o desaparecimento de anuros (sapos, pererecas e rãs) de uma lagoa pode significar poluição da água.
Há mais de dois anos verifico que alguma coisa está errada no local mostrado nas fotos acima, na Avenida Areal, em Águas Claras. Mesmo durante a seca, o capim mantém um verde exuberante, contrastando como a vegetação seca ao redor. É fácil perceber que há um derramamento de esgoto no local, mas as pessoas que cuidam dos encanamentos da Caesb ainda não tomaram providência. O capim está sendo um bioindicador de que maus serviços estão sendo prestados pela Companhia de Saneamento Ambiental do DF, a Caesb.
A manutenção do sistema de esgotamento sanitário é onde a empresa mais concentra funcionários terceirizados. A empresa derrama dinheiro como água em contratos com empreiteiras que não trabalham adequadamente. As fotos acima mostram isso. Sequer estão sendo feitas inspeções para verificar vazamentos na rede, tanto que há mais de dois anos esse vazamento existe e não foi consertado. O mais impressionante é que o vazamento fica em um local de grande circulação, a menos de um quilômetro da sede da Caesb.
É uma estratégia comum manter contratos caros em empresas públicas, associados a serviços de má qualidade, para justificar a privatização. Nessa situação o governo se vê obrigado a injetar dinheiro público na empresa para depois argumentar que a empresa dá prejuízo. Isso tem acontecido em vários países do mundo, especialmente na América Latina e na África, que têm entregado seus serviços essenciais na mão de empresas de países ricos. No Brasil, vários municípios já privatizaram seus serviços de saneamento básico, inclusive a capital Cuiabá.
O documentário “O mundo global visto pelo lado de cá” mostra que em 2000 o governo, pressionado pelo FMI e pelo Banco Mundial, privatizou a água potável na região de Cochabamba, na Bolívia. Houve grande pressão popular com passeatas e manifestações até que o governo voltou atrás. Em Brasília, os serviços de saneamento ainda não foram privatizados, mas os acontecimentos apontam para essa possibilidade. A falta de informação  das pessoas sobre o tema faz com a que apenas os servidores efetivos da empresa estejam em estado de alerta. Há anos os trabalhadores lutam contra as terceirizações e o sucateamento da empresa. Este ano, fizeram a maior greve da história da categoria e poucos dias após anunciaram nova greve, que pode ser iniciada a qualquer momento. A companhia ameaça retirar direitos conquistados pelos trabalhadores e não contrata os servidores aprovados no último concurso público realizado, nem mesmo para suprir as vagas anunciadas no edital. A empresa hoje alega dificuldades financeiras, mas poucos meses atrás anunciava, orgulhosa, crescentes recordes de arrecadação, advindos da ligação de novos consumidores à sua rede e da reclassificação das unidades consumidoras, muitas das quais passaram a pagar o dobro pela água e pela coleta de esgoto,
Na contramão da dificuldade financeira alegada, os trabalhadores denunciam desperdício de material, terceirizações caras e desnecessárias, pesados gastos com cargos políticos e comissionados, excessivos níveis hierárquicos e cargos de chefia, custas judiciais e indenizações trabalhistas provocadas pela má gestão. Em relação aos concursados aprovados e não contratados, o Ministério Público autuou a empresa. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) obriga a contratação, mas a empresa prefere pagar multas a nomear os concursados. Enquanto isso, prorrompem-se escândalos como o de comissionados que não comparecem no local de trabalho, o do terceirizado morto na adutora da EPTG após mais de vinte quatro horas de trabalho ininterrupto, o dos que cumprem expediente em gabinetes políticos e o caso de um servidor que deixou a empresa no Plano de Demissão Voluntária (PDV), voltou para a empresa como assessor da presidência, com o salário de mais de vinte mil reais, e ainda acumula o cargo de confiança de superintendente. Sem falar no atual presidente, que é diretor de uma das maiores empreiteiras que prestam serviço para a Caesb.
Como até a natureza vem mostrando, a Caesb não está bem. À população sobra o aumento da conta, a má qualidade dos serviços prestados, o odor do esgoto derramado pelas ruas, a poluição dos recursos hídricos e a ameaça de que a água, um de seus direitos essenciais, um recursos vital, seja subordinado a interesses econômicos.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Informações do Transporte Público de Brasília no Google

A parceria entre o Google, a empresa Logann e o DFTrans permitiu que em 16 de abril de 2014 fossem  publicadas informações do transporte público de Brasília no Google Transit. Isso permite que um usuário do transporte público pesquise as opções de viagens do local onde ele está para onde ele precisa ir. Essa é uma antiga demanda dos moradores do DF e beneficia também aos turistas que passeiam pela cidade, inclusive aqueles que estarão em Brasília para os jogos da Copa do Mundo FIFA 2014.

Para usar o serviço acesse o site https://maps.google.com.br/ . Se você estiver em Brasília, certamente o mapa abrirá centralizando o Plano Piloto. Em seguida, clique em "Rotas", como mostra a figura abaixo:


Depois, digite o local de origem e o local de destino.


O site mostrará o trajeto de carro entre os dois locais. Para ver as informações do sistema de transporte público clique no ícone específico, destacado abaixo:


Aparecerá em destaque a principal opção de viagem, com as linhas de ônibus que você pode pegar e até se é possível utilizar o metrô:


Caso a opção apontada não seja do seu agrado, você pode clicar em outras opções:

O site calcula a duração ESTIMADA da viagem e apontará os próximos horários de partida de cada uma das linhas de ônibus. Atenção, o horário apontado é de saída do ônibus do terminal rodoviário; pode demorar um pouco até que ele chegue no seu ponto de parada.

Estou diretamente envolvido no projeto e aberto a críticas e sugestões. Estamos a cada dia melhorando e atualizando as informações. Ontem mesmo identificamos que o trajeto de uma linha de ônibus estava equivocado e fizemos a correção imediatamente.

É fato que o transporte público de Brasília ainda precisa melhorar MUUUUITO, mas iniciativas como essa mostram que aos poucos as melhorias estão acontecendo. Precisamos de maior vontade política e participação popular para que sejam mais rápidas. O DFTrans espera, assim que possível, disponibilizar informações em outras plataformas, inclusive em seu próprio site. Aproveitem!


domingo, 13 de abril de 2014

Responsabilidade socioambiental: o mau exemplo do Centro Universitário UNIEURO de Águas Claras


Está acontecendo a prova do concurso público do Metrô-DF/2014. Reparem o absurdo dos estacionamentos vazios, enquanto os carros se aglomeram pelo lado de fora.

Em nossa sociedade capitalista os custos das atividades econômicas são compartilhados socialmente. Todos nós sofremos com os agrotóxicos que contaminam o solo e nossas águas; todos nós sofremos com os resíduos que as indústrias lançam nos rios e na atmosfera. No entanto, o lucro permanece na mão dos poucos que detêm os modos de produção.

O Centro Universitário UNIEURO em Águas Claras, por exemplo, recebe um bom dinheiro por alugar suas instalações para a realização de provas de concurso. Mas, por um capricho interno ou falta de organização, não permite que os candidatos deixem seus automóveis em seus estacionamentos. Resultado: os candidatos estacionam em locais proibidos, interditam faixas das ruas internas de Águas Claras e até das vias marginais da EPTG, matam a grama e as mudas de árvore plantadas na rotatória em frente ao centro universitário.

O UNIEURO pode alegar que o uso do estacionamento poderia comprometer a segurança do processo seletivo. Porém, um pequeno investimento em grades ou alambrados em torno do estacionamento resolveria o problema. Mas, assim é o capitalismo, é preciso maximizar o lucro com o menor investimento possível. A sociedade absorve passivamente uma parcela dos impactos negativos.


É preciso repensar esse modelo e buscar a construção de uma sociedade que não se ampare no lucro, mas no bem-estar de todos. As empresas precisam ter maior responsabilidade socioambiental. Isto é, reduzir os custos sociais e ambientais decorrentes de suas atividades econômicas e partilhar socialmente seus resultados. Posso parecer maluco, mas ainda acredito que isso seja possível.

sábado, 12 de abril de 2014

A Engenharia de Tráfego e a cultura da obra em Brasília


A foto acima mostra o resultado da mais nova obra de melhoria do acesso a Águas Claras. Foram meses de obra. Certamente, muito dinheiro gasto. E, no entanto, não houve melhoria. Em Brasília, as alterações no sistema viário não são devidamente planejadas. Não se amparam em pareceres técnicos, mas em critérios político-eleitoreiros subordinados aos interesses das empreiteiras que financiam as campanhas e realizam as obras.

A prova mais vergonhosa de que as obras no sistema viário são feitas sem planejamento adequado é a EPTG. O viaduto Israel Pinheiro, por exemplo, apesar de sua megaestrutura, não consegue desempenhar o papel fundamental de um viaduto: fazer com que as vias se cruzem sem a necessidade de interromper o fluxo de veículos; o viaduto mantém dois semáforos nas vias marginais causando transtornos na hora do rush. No acesso ao SIA, próximo ao córrego Guará, existem duas opções para quem quer entrar no setor, mas não existe opção para quem quer sair em direção ao Plano Piloto. Para fazer isso é preciso retornar no Guará ou seguir por dentro do SIA até a loja Só Reparos, ingressar na EPTG, voltar até o viaduto próximo ao córrego, para então pegar o sentido Plano Piloto. Nos dois extremos da EPTG, na chegada ao centro de Taguatinga e na chegada à Octogonal, o afunilamento da via provoca engarrafamentos praticamente ao longo de todo o dia.

Detran, DER e DFTrans, órgãos diretamente envolvidos na qualidade do trânsito, não trabalham de forma integrada para resolver os problemas de maneira holística. Dificilmente um consulta ao outro quando vai realizar uma intervenção no tráfego. Esses órgãos não possuem sequer softwares que simulam as alterações no sistema viário em um ambiente virtual, antes de realiza-las na prática. O DER encontra-se em processo de aquisição de um desses softwares, no entanto, um dos mais básicos, que não simula operações essenciais, como por exemplo, o impacto da implantação de uma faixa exclusiva para ônibus em uma rodovia, talvez por que esse não seja o seu negócio e quem cuida de faixa exclusiva para ônibus é o DFTRANS. Por enquanto, quando as simulações são necessárias os órgãos contratam empresas para realizá-las. No entanto, como as simulações são caras e complicadas, nem sempre todas as alterações são simuladas. Logicamente que as obras são muito mais caras e é difícil revertê-las, mas em Brasília, a obra deve ser feita e isso não se discute.

Soluções operacionais bem articuladas podem surtir melhor efeito do que as obras. A inversão do sentido da via Estrutural nos horários de rush e as adaptações no fluxo de veículos entre a via Estrutural e Eixo Monumental pela manhã são bons exemplos de como o trânsito pode ser melhorado sem gastar um quilo de cimento. Há cerca de quatro anos, antes das obras na EPTG, os agentes de trânsito conseguiam contornar bastante o problema dos congestionamentos da via fechando com cones alguns retornos e canalizando o trânsito com cones nos principais acessos. Mesmo com os bons resultados, resolveram fazer as obras e abandonaram o hábito de colocar os agentes na rua. As obras não resolveram os problemas e hoje os agentes não são postos na rua. Ficam nas burocráticas repartições tomando café e assistindo TV.

Outro dia, um agente do Detran fez a gentileza de me multar ao lado do colégio COEBS na via Boca da Mata por “ultrapassar carro parado junto ao semáforo”. Recorri da multa por que no local não existe semáforo (será que o agente ganha comissão?). O processo foi parar no setor de ENGENHARIA DE TRÁFEGO do Detran que, segundo eles, existe um semáforo há cerca de 200 metros. Inconformado, medi a distância. São mais de 400 metros, mais do que o dobro do que o medido pela ENGENHARIA DE TRÁFEGO do Detran. Não são eles que planejam nosso sistema viário? Como eles estão fazendo isso se não conseguem nem medir direito o comprimento de um trecho de via?


Para desespero da população, além da incompetência da engenharia de tráfego, em 2014 o Distrito Federal baterá a marca de 1,5 milhões de veículos em circulação, a implantação de ciclovias vai mal, obrigado, e a melhoria do transporte público anda a passo de tartaruga. Pode ser que não exista mesmo a intenção de resolver os problemas, pois, cada problema definitivamente solucionado elimina a necessidade de uma nova obra.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Coleta Seletiva no Distrito Federal

No dia 17 de fevereiro o GDF iniciou a coleta seletiva de lixo em todo o DF. Você não sabia disso? Não sei se é por que o GDF estava mais preocupado em trabalhar para você, mas denota uma tremenda falta de organização e planejamento.

A implementação da coleta seletiva em toda uma unidade da federação deveria ser precedida de ampla divulgação. Propagandas no rádio, na televisão e em jornais de grande circulação. Campanhas educativas na rua, nas escolas e nas instituições públicas. Entrega de panfletos e cartilhas. O povo deveria ser educado sobre como proceder a coleta e ser informado adequadamente sobre os dias de recolhimento de cada tipo de resíduo. As pessoas precisavam de tempo para comprar novas lixeiras e os condomínios para capacitar seu pessoal, modificar processos, adquirir novos contêineres.

O GDF, no entanto, se limitou a uma parca campanha, às vésperas do início da coleta seletiva. O restante da publicidade veio através de notícias, oferecidas não pelo GDF, mas pelos próprios meios de comunicação. As cooperativas de catadores não foram devidamente organizadas e encontram-se incapazes de dar destinação final adequada aos resíduos que estão sendo coletados.

Apesar dos tropeços dos nossos governantes, a ideia da coleta seletiva é muito boa. Aquilo que chamamos de lixo é fonte de energia e matéria-prima para novos produtos. A matéria-prima proveniente do lixo é obtido com menor consumo de energia e água. Quando a matéria-prima é obtida do lixo, os recursos naturais são poupados e ecossistemas naturais deixam de ser destruídos. Quando o lixo que é reciclado, ele não contamina nossos solos e nascentes. A produção de energia a partir do lixo combate o efeito estufa. A coleta seletiva contribui para o desenvolvimento social e a redução da desigualdade porque favorece famílias de baixa renda.

Portanto, minha gente, procuremos fazer a nossa parte. A separação é muito simples: coloque em recipientes ou sacolas diferentes o lixo seco (vidro, papel, plásticos, papelão...) e o lixo orgânico (restos de comida, cascas, poda de plantas, lixo do banheiro...). Passe água nas caixas de leite, caixas de suco, copos de iogurte e outros recipientes recicláveis que carregam matéria orgânica. Materiais como cerâmica, grampos, clipe e fitas adesivas podem ser colocados no lixo orgânico, pois, não são recicláveis. Atenção especial para pilhas, baterias, equipamentos eletrônicos, lâmpadas e outros materiais que carregam metais pesados. Eles não devem ser jogados no lixo! Devem sofrer uma “logística reversa” de volta ao fabricante. Informe-se sobre onde descartar esse tipo de resíduo. Aí vão algumas dicas:

Para você que mora em casa, verifique no site do SLU os dias corretos de colocar para fora cada tipo de resíduo.

Para você que mora em apartamento, verifique como seu condomínio está realizando o descarte. O ideal é que hajam dois contêineres identificados e no dia correto, cada caminhão pega o lixo do seu respectivo contêiner.

Para alguns poderá parecer complicado, mas, por experiência própria, eu digo que é bem simples. Há mais de dois anos faço a separação do lixo em minha residência e hoje ela ocorre de forma bem natural. Até as crianças já se acostumaram. Os benefícios socioambientais compensam o pequeno esforço extra.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi promulgada em 2010 e estabeleceu o prazo de quatro anos para a implantação da coleta seletiva nos municípios. O prazo parece não ter sido suficiente para que o GDF pudesse se organizar. Sejamos justos: a maior parte dos municípios está mais atrasada do que Brasília. A capital federal, no entanto, deveria dar o exemplo.