sábado, 30 de maio de 2015

PARABÉNS GEÓGRAFOS!


Ontem, 29/05, foi o dia do geógrafo. Parabenizo a todos os colegas de profissão! É uma vitória poder trabalhar como geógrafo no atual cenário de desvalorização desse profissional e consequente escassez de empregos. O geógrafo coloca seu conhecimento a serviço da pesquisa, da gestão e do planejamento. Atividades relegadas ao segundo plano na maioria das empresas e instituições públicas do Brasil. Se junta a esse fato o total desconhecimento dos recrutadores de Recursos Humanos sobre as atividades desenvolvidas pelo geógrafo. Então, em detrimento do geógrafo, contratam profissionais de outras formações, que muitas vezes por não terem a formação específica, não desempenham as atividades com toda competência. A população, em geral, também conhece pouco o potencial do geógrafo. É comum ouvir, por exemplo, “Ah, você é geógrafo? Então, qual é a capital do Uzbequistão?” Ou ainda, “Você é geógrafo? Onde você dá aula?” Esclareço que geógrafo não é atlas e que, sim, podemos lecionar geografia, mas não é só isso que fazemos.
A lei federal nº 6.664/1979 e resoluções do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) e dos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREA’s) permitem que o geógrafo atue nas seguintes atividades: elaboração de estudos e relatórios de impacto ambiental (EIA’s e RIMA’s), plano e relatório de controle ambiental (PCA e RCA); elaboração de planos diretores urbanos, rurais e regionais; elaboração e gerenciamento de cadastros rurais e urbanos; estruturação e reestruturação dos sistemas de circulação de pessoas, bens e serviços; pesquisa de mercado e intercâmbio regional e inter-regional; delimitação e caracterização de regiões para planejamento; delimitação do espaço territorial municipal, distrital e regional; estudos populacionais e geoeconômicos; mapeamento básico e temático; elaboração de cartas de declividade e perfil de relevo; cálculo de áreas; na transformação e cálculo de escalas; locação de pontos ou áreas por coordenadas geográficas; interpretação de fotografias aéreas e imagens de satélite; implantação e gerenciamento de Sistemas de Informações Geográficas (SIG), geoprocessamento e cartografia digital; na delimitação e plano de manejo de bacias hidrográficas; avaliação e estudo do potencial de recursos hídricos; controle de escoamento, erosão e assoreamento dos cursos d’água; caracterização do meio físico; elaboração de planos de recuperação de áreas degradadas; estudos e pesquisas geomorfológicas; estudos do clima; cálculo de energia do relevo; levantamento do potencial turístico; projetos e serviços de turismo ecológico.
Recentemente estive empenhado na luta para que a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) ampliasse a quantidade de geógrafos em seu quadro de profissionais, por que conheço a empresa e sei da necessidade. Inicialmente foram escritas cartas aos diretores da empresa, que simplesmente ignoraram, não deram resposta alguma. Depois foi realizada uma reunião com o presidente da empresa, que disse que a Caesb não precisa de geógrafos por que é uma empresa, segundo ele, de “engenharia” e não de “meio ambiente”, ignorando os serviços de saneamento ambiental prestados pela empresa e que o geógrafo faz parte do Conselho de Engenharia e Agronomia, e suas atividades, portanto, fazem parte das atividades de engenharia. O lamentável episódio somente reforça a desvalorização da profissão. As soluções para os problemas da sociedade são sempre apresentadas na forma de investimentos em obras faraônicas que beneficiam empreiteiros e grandes grupos econômicos. Nesse cenário, não é interessante um profissional que apresenta soluções alternativas.

É preciso que o geógrafo reaja ao cenário desfavorável. Lute para a criação de vagas e o preenchimento das vagas existentes e não ocupadas nas empresas e nos órgãos públicos. Faça conhecer sua profissão no contato com as pessoas e através da realização de eventos. Seja empreendedor, exercendo sua profissão como profissional liberal ou abrindo empresa para prestação de serviços no campo da geografia. E, principalmente, amplie o sentimento de classe. Profissionais mais valorizados, como médicos, advogados e engenheiros, têm o mérito de manter um elevado sentimento de classe, manifestada em conselhos, ordens e associações profissionais fortalecidas. As associações de geógrafos, pelo contrário, pouco fazem por seus profissionais e por isso muitos não se associam. Como consequência, a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) definha e a Associação Profissional de Geógrafos (APROGEO) não consegue sair do papel em muitos estados. Geógrafos do Brasil, uni-vos!