sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A DIFÍCIL TAREFA DE PLANTAR


     Como se diz por aí: “Nem Jesus agradou a todos”. A gente consegue antipatia até mesmo na nobre tarefa de plantar árvores. Algumas pessoas preferem um tipo de árvores, outras preferem outros tipos. Algumas reclamam que as folhas sujam as ruas. Outras se aproveitam a sombra.
     Assumi o compromisso pessoal que plantar árvores em uma área verde em frente ao condomínio em que moro. Algumas frutíferas, outras nativas do Cerrado e algumas mudas de Flamboyant, que é nativo da Ilha de Madagascar, mas bem adaptado ao clima brasileiro. O local é perfeito. Longe de prédios e rede elétrica, a uma boa distância da calçada e do alfalto. Porém, a tarefa não tem sido fácil, as críticas são as mais diversas.
     Em um dos momentos de plantio, um vizinho parou o carro próximo a mim e reclamou:
   __ Ah, então é você quem está plantando essas árvores aí! Estive conversando com algumas pessoas do condomínio e elas estão preocupadas com essas árvores. Elas podem crescer demais, bloquear a luz dos postes e deixar a rua escura e perigosa. Você não pode plantar em outro lugar? Que árvores são essas que você está plantando?
     Pensei: “como pode as pessoas se preocuparem mais com quem caminha nas trevas da noite do que com quem passa por aqui no calor do dia?” As árvores, de fato, vão dar sombra para quem passa na calçada próxima. Nesse dia eu estava plantando patas-de-vaca e respondi:
     __ Amigo, fique tranquilo essas são árvores de médio porte, nativas do cerrado e que se adaptam bem ao ambiente urbano.
     Ele viu que não estava falando com uma pessoa completamente leiga. Entrou no carro sem dizer mais nada e foi embora.
   Em outro momento, apareceu uma pessoa perguntando se alguma das mudas que eu estava plantando era de Cedro. Que ouvira falar que o Cedro teria propriedades medicinais. Que queria uma muda dessa árvore. Que seria ótimo se eu plantasse árvores com propriedades medicinais. Enquanto ele falava apareceu outro dizendo que não deveria plantar árvores frutíferas, que elas fazem muita sujeira. Os sujeitos puxavam conversa e eu estava interessado mesmo era em terminar meu trabalho. Por sorte, começaram a conversar com o outro e eu pude deixá-los e continuar trabalhando.
Logo depois apareceu alguém com opinião um pouco diferente:
     __ Quer um conselho? Plante árvores frutíferas. As pessoas adoram. É muito bom. Veja lá no Plano Piloto, as pessoas colhem toneladas de mangas, jacas e outras frutas. Sem dúvidas, a melhor coisa para a cidade é plantar árvores frutíferas.
     Por fim, apareceu alguém aconselhando plantar longe da rede elétrica, que eu regasse sempre e que colocasse uma cerca de madeira para protegê-las das roçadeiras. Humildemente agradeci aos conselhos, mas eram redundantes. Eu estava tomando todos esses cuidados.
     O mais interessante é que ninguém se ofereceu para botar a mão nas ferramentas e ajudar a plantar. Nem para plantar árvores baixas que não atrapalhem a luz dos postes, nem frutífera, nem medicinal, nem para ajudar a colocar proteção nas mudas. Vivemos tempo de muitas opiniões e pouca prática. Muita gente disposta a criticar, mas poucas dispostas a arregaçar as mangas.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

TEMPO BOM PARA PLANTAR

     Você gosta de Guacamole? Quem sabe, vitamina de abacate?
     Pois é, tudo começa assim, plantando! Como esse abacateiro que plantei aqui na rua.


     Para beber suco de laranja, chupar manga ou comer mousse de limão no futuro, é preciso plantar hoje. Assim como alguém plantou no passado aquilo que usufruímos hoje.
     Estamos em um momento propício para plantar, com fortes chuvas intercaladas com dias ensolarados. Se você já preparou uma muda e ela atingiu cerca de 30 cm, este é o momento ideal para plantar. O plantio direto da semente no solo é menos recomendável, sua muda pode não se tornar forte o suficiente para enfrentar o próximo período de seca. Mas você pode tentar.
     Você também pode aproveitar o momento favorável para preparar agora suas mudas e plantá-las definitivamente na próxima estação chuvosa. Sob os seus cuidados ela crescerá bastante agora no tempo de chuva e enfrentará mais facilmente a seca.
     Prefira plantar espécies nativas, mais adaptadas ao nosso solo e clima. As frutíferas também são boa pedida, pode ser que venham garantir um lanche. Mas exigirão maior cuidado. É preciso recolher o excesso de fruto que cai pelo chão.
     Lembre-se de plantar com um afastamento mínimo de um metro de calçadas e edificações, adube e proteja sua muda. Não plante sob a rede de energia elétrica. Se ela não crescer o bastante nesta estação, as raízes podem não ficar profundas o bastante para retirar a umidade do solo durante a seca. Será necessário regar.
     Se você preferir, junte-se a uma galera que está bem ativa nos últimos dias. Entre no site http://tonavirada.org/mutirao-de-plantio/ e consulte os locais em que ainda há mutirão de plantio de árvores. As atividades vão até o dia 12 de dezembro. Ainda dá tempo!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

BOAS E MÁS NOTÍCIAS A RESPEITO DA ÁGUA


       Notícias desse 21 de setembro de 2016 no Distrito Federal:
       - Início da Primavera! - Hoje é o dia da árvore!
       - Chuva interrompe a seca e alivia o calor!
      - Há cinco dias diversas cidades do DF sofrem racionamento no fornecimento de água.
       - ADASA revê autorizações de caminhões pipa.
       - Postos de gasolina são obrigados a reduzir o consumo de água.
       - Prédios públicos terão que economizar água.
     As notícias apresentadas acima guardam estreita relação com um recurso fundamental para nossas vidas, a água. A esse respeito, hoje tivemos ótimas notícias, uma péssima notícia e notícias que seriam boas, se fossem em outro contexto. Explico.
      Podemos classificar como ótimas notícias o fim da estação seca, o início da primavera e a celebração do dia da árvore. A primavera encerra a estação seca no DF. Traz de volta a chuva e junto com ela as cores e a beleza da vegetação. O dia da árvore ocorre no início da primavera para que, no momento em que as árvores aparecem com toda sua exuberância, possamos refletir sobre a importância de tê-las por perto. E as árvores são essenciais para a proteção das nascentes e cursos d'água, para a infiltração da água no solo e reabastecimento das reservas naturais de água. Cidades como Nova Iorque e Curitiba conseguiram resolver problemas com o abastecimento de água apenas plantando árvores e recuperando a mata ciliar ao longo dos rios e represas utilizados para abastecimento público.
      Medidas de proteção dos mananciais e de economia de água são essenciais no Distrito Federal, território que possui baixa disponibilidade hídrica, constante crescimento populacional, avanço da mancha urbana e da impermeabilização do solo. A notícia ruim que ouvimos hoje, a necessidade de racionamento do fornecimento de água, decorre exatamente do fato de que o Distrito Federal não tem feito a gestão adequada de seus recursos hídricos. Se a situação permanecer o racionamento será cada vez mais necessário.
      Por isso mesmo, as notícias a respeito da racionalização do uso de caminhões pipa e a economia de água em postos de gasolina e em prédios públicos não são boas para o momento. Denunciam exatamente a má gestão, por que ocorrem apenas no momento de crise hídrica, em que o racionamento já se faz necessário. Essas notícias seriam boas em outro momento. Ou melhor, em outros momentos. Deveriam ser ouvidas durante todo o tempo, parte de um programa sistemático e constante, capaz de evitar que o racionamento se torne comum.

quarta-feira, 23 de março de 2016

FRATERNIDADE E SANEAMENTO BÁSICO


O mundo se torna um lugar melhor quando a fé das pessoas se converte em benefício para toda sociedade, além de produzir as conhecidas benesses pessoais e espirituais. Melhor ainda quando isso acontece com pessoas de diferentes pensamentos religiosos unindo esforços para produzir um bem maior, ao invés de se preocuparem com as suas diferenças de pensamento.
É nesse contexto que está sendo realizada a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, uma ação promovida pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC) em favor da universalização do saneamento básico no Brasil. A ação é oportuna, uma vez que a sétima maior economia, em termos de PIB, possui índices de saneamento básico comparável ao das nações mais pobres do planeta. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico de 2013 mostram que 82% da população brasileira não tem acesso à água tratada. Metade da população não tem acesso à coleta de esgoto e 39% do esgoto coletado não é tratado. Cerca de 15% da população não é contemplada com serviço de coleta de resíduos. O lixo coletado raramente é reciclado, sendo jogado em lixões sem nenhum tratamento, contaminando o solo e a água. Como resultado, a população sofre com doenças de veiculação hídrica ou oriundas do descarte incorreto de resíduos. Exemplo disso são as epidemias de Dengue, Chikungunya e Zika que estão assustando o país.
A campanha tem como tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e como lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). A Campanha da Fraternidade é realizada todos os anos pela Igreja Católica, sempre com um tema social urgente e com ações intensificadas durante o tempo da Quaresma, período de quarenta dias de preparação para a Páscoa, a festa mais importante para os cristãos. Na Quaresma, os católicos aprofundam os exercícios espirituais da oração, do jejum e da esmola e a Campanha da Fraternidade ajuda a lembrar que as práticas religiosas precisa se converter em benefícios para toda sociedade. Em 2016, como já ocorreu outras três vezes na história, a campanha ocorre de maneira ecumênica. Outros temas foram sugeridos, como a violência e a intolerância religiosa, mas a precária situação do saneamento básico no Brasil fez com que o tema fosse preferido pelos representantes das igrejas que integram o CONIC.
Além de ecumênica, a campanha também tem um viés internacional, uma vez que é apoiada pela Misereor, uma entidade dos bispos da Alemanha que trabalha pelo desenvolvimento da América Latina, África e Ásia. Isso mostra que a preocupação com a nossa “Casa comum” ultrapassa fronteiras. Vamos torcer para que as igrejas e os países continuem unidos para enfrentar os problemas de nossa casa comum.

Assista ao vídeo feito para a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.

terça-feira, 22 de março de 2016

SITUAÇÃO HÍDRICA DO DISTRITO FEDERAL

Síntese da palestra aos empresários no SEBRAE/DF
22 de março de 2016, Dia Mundial da Água

Roberto Souza Borges bacharel, licenciado e mestre em Geografia, com concentração em Gestão Ambiental e Territorial. Especialista em Geoprocessamento. Há um ano é Analista de Sistemas de Saneamento da Caesb. Trabalhou outros seis anos na empresa como Técnico em Eletricidade.



O Brasil vive um momento de recessão da economia marcado pela redução do PIB, fechamento de empresas e crescimento do desemprego. É preciso parabenizar o SEBRAE por que sem o seu trabalho de apoio à micro e pequena empresa a situação de crise estaria muito pior. As micro e pequenas empresas têm um papel fundamental para a manutenção dos postos de trabalho e arrecadação de impostos. A crise econômica concorre com uma crise ambiental de forte impacto na disponibilidade de recursos naturais, inclusive a água.
A situação de crise é uma oportunidade para que o micro e pequeno empresário reavalie seus processos e cultura organizacional a fim de garantir a sobrevivência e a competitividade de sua empresa. A solução encontrada pelas empresas mais modernas e arrojadas é a implementação da Responsabilidade Socioambiental, não apenas como Green Marketing ou para atrair e fidelizar aos clientes, que estão cada vez mais exigentes. Isso faz parte. Porém, o fundamental é que as empresas social e ambientalmente responsáveis conseguem economizar insumos, reaproveitar e reutilizar seus resíduos, e se envolvem menos em litígios e problemas judiciais. Nesse contexto, também é importante que as empresas saibam como economizar e reaproveitar água.
No auge da crise hídrica no estado de São Paulo, era comum os empregados da Caesb escutarem a pergunta: “Temos risco de ficar sem água como está acontecendo em São Paulo”? A pergunta mostra que, de maneira geral, as pessoas estão preocupadas com a gestão dos recursos hídricos no Distrito Federal. E estão preocupadas por que o assunto é realmente sério. A água é um bem essencial e fundamental à vida. Porém, para evitar uma crise hídrica como a que ocorreu em São Paulo é essencial que o questionamento evolua para o uso consciente da água. As vezes pode parecer que Brasília não apresenta problemas hídricos. A região em que moramos foi escolhida para abrigar o Distrito Federal justamente por que, apesar de não possuir grandes cursos d’água, existia uma grande quantidade de nascentes. Essas, no entanto, não estão sendo muito bem cuidadas, muitos de nossos cursos d’água já não possuem qualidade adequada para consumo e as alterações climáticas estão provocando alterações na disponibilidade da água. A situação de Brasília é mais confortável que a de São Paulo, mas não podemos descuidar e a população precisa ter consciência disso.
No entanto, até mesmo dentro da Caesb, onde os empregados recebem maiores informações a respeito do uso consciente da água, ainda existem pessoas que não foram devidamente sensibilizadas. Uma vez um colega me disse o seguinte: “Eu não sei por que se fala tanto em economizar água, se todo ano a chuva traz a água de volta”. Essa ideia está completamente equivocada e afirmo isso por que tenho observado há alguns anos a variação do nível na represa do Rio Descoberto, responsável pela água consumida por 65% da população do DF. A cada ano está demorando mais para o reservatório atingir a cota máxima e começar a verter. Há alguns anos atrás era comum o reservatório começar a verter em outubro. Ou seja, a estação das chuvas se iniciava em setembro e com menos de dois meses de chuva a represa já estava cheia. Logo, o reservatório passou a verter em novembro. Depois, em dezembro. Cada ano demorando mais. O ano de 2014 acabou sem que o reservatório voltasse a verter. Isso aconteceu apenas no mês de abril de 2015. Em 2016 foi semelhante, o reservatório atingiu a cota máxima no dia 15 de março. Nos últimos anos, o reservatório ficou vertendo por apenas alguns dias. No passado, isso acontecia por vários meses.
Todo ano o regime de chuvas varia um pouco. As vezes demora mais a começar a chover. As vezes a chuva vai embora mais cedo. O que aconteceria no DF se a chuva fosse embora mais cedo e demorasse muito a voltar? Será que teríamos água suficiente para aguentar uma seca prolongada? Já testemunhei o reservatório atingir uma cota de apenas 90 centímetros acima do volume morto, a partir do qual, em tese, não poderíamos mais retirar água (digo “em tese” por que em São Paulo essa água chegou a ser consumida).
Não é apenas a influência climática que preocupa, outro fator preocupante no DF é o assoreamento dos reservatórios. Toda barragem tem uma vida útil. Com a entrada de sedimentos, cada vez mais sua capacidade é reduzida. Nossos reservatórios são antigos e já estão bastante assoreados. Algumas pessoas dizem: “basta dragar a areia e recuperar a capacidade do reservatório”. Mas isso não é tão simples. A operação é cara e ao realizar a dragagem, a qualidade da água é prejudicada, podendo se tornar imprópria para o consumo ou exigindo um tratamento que a nossas estações não poderá oferecer.
Nossos reservatórios estão menores e o consumo está maior. Na Estação Elevatória do Rio Descoberto, por exemplo, por muito tempo só foi necessário ligar os motores até atingir a potência de 22.000 HP. Nos últimos anos passou a ser necessária a potência de 27.500 HP, inicialmente, apenas nos meses de maior consumo e hoje a potência é necessária quase que constantemente. Além da menor disponibilidade e maior consumo, a qualidade de nossas águas está cada vez pior. A solução é buscar água mais longe ou tratar água de qualidade inferior. Ambas medidas tornam a água mais cara, com reflexo nos orçamentos dos cidadãos e das empresas.
Atenta à situação dos recursos hídricos no Distrito Federal a Caesb está realizando investimentos em novos sistemas de abastecimento. Até 2018 estará em funcionamento o Sistema Corumbá IV, que vai retirar água do reservatório localizado no município de Luziânia para abastecer municípios de Goiás ao sul do Distrito Federal e reforçar o abastecimento de Santa Maria, Gama, Recanto das Emas, Samambaia, Ceilândia, Taguatinga, Águas Claras e Núcleo Bandeirante. Ainda possibilitará a regularização do abastecimento em localidades como a região do Ponte de Terra, Meireles, Sucupira, Pôr do Sol, Sol Nascente, Arniqueiras e Vicente Pires.
Também estão previstas captações no Córrego Bananal e no Lago Paranoá. A água do Bananal deverá reforçar o Sistema Torto/Santa Maria, que abastece Asa Sul, Asa Norte, Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Lago Norte, Paranoá, Itapoã, Lago Sul e Jardim Botânico. E a água do Paranoá será utilizada para abastecer condomínios de Sobradinho II, Jardim Botânico e Setor Habitacional Tororó, além de reforçar o abastecimento de Paranoá, São Sebastião e Sobradinho. O excedente poderá abastecer ainda Planaltina, Brasília e Lago Norte.
Os investimentos em novos sistemas de abastecimento não devem provocar a sensação de que não precisamos mais economizar água e proteger nossos recursos hídricos. Parte da água dos novos sistemas deverão abastecer também cidades do entorno, que estão crescendo, e existem projeções de incremento populacional no DF para os próximos anos. Cada cidadão precisa fazer sua parte e a responsabilidade socioambiental das empresas precisa compreender o uso consciente da água. A situação de crise econômica que estamos vivendo é uma boa oportunidade para a mudança de postura. Uma das formas de poupar dinheiro é gastando menos água. Além de economizar a água tratada que recebemos, também é possível implementar reservatórios para a água de reuso e para aproveitar a água da chuva, desde que observadas as normas específicas para este tipo de instalação.

Apresentação multimídia utilizada: http://arcg.is/1PjKe93

domingo, 6 de março de 2016

CACIMBA DE MÁGOA

     Adivinha onde eu ouvi a nova música do Gabriel o Pensador? Em uma rádio católica! Acredita? Isso é realmente inesperado. É claro que a música só foi tocada nessa rádio por que a Igreja Católica, juntamente com algumas outras igrejas cristãs, está realizando uma campanha em favor da melhoria do saneamento básico no Brasil e a música aborda esse tema. Mas, de qualquer forma, o fato demonstra a evolução da música do rapper. A nova música do Gabriel foi feita em parceria com a banda Falamansa. E o que acontece quando dois expoentes criativos e irreverentes da música brasileira se unem? Não poderia ser diferente, sai música boa, de qualidade. A música “Cacimba de Mágoa” teve o crime ambiental ocorrido na bacia do Rio Doce como fato gerador.

     Acompanho o amadurecimento da música do Gabriel o Pensador desde minhas aulas de história da sétima série (1997). A cada música, o artista se distancia da crítica baseada no palavreado de baixo calão e na agressividade e adota uma postura mais madura, artística e poética, sem perder a reflexão sobre os nosso problemas sociais.

     A banda Falamansa, por sua vez, se destaca entre as bandas de forró por que se mantém fiel ao legado do mestre Luiz Gonzaga, abordando, como ele, os mais diferentes temas nas letras de suas músicas, diferente do discurso monotemático dos relacionamentos amorosos adotado pela maioria das bandas de forró.

     Talvez faltasse nos repertórios do Gabriel o Pensador e da Falamansa uma música que abordasse a temática ambiental. A carência, no entanto, foi suprida em momento oportuno e em grande estilo. Escute aí!