O mundo se torna um lugar melhor quando a fé das pessoas se converte em benefício para toda sociedade, além de produzir as conhecidas benesses pessoais e espirituais. Melhor ainda quando isso acontece com pessoas de diferentes pensamentos religiosos unindo esforços para produzir um bem maior, ao invés de se preocuparem com as suas diferenças de pensamento.
É nesse contexto que está sendo realizada a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, uma ação promovida pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC) em favor da universalização do saneamento básico no Brasil. A ação é oportuna, uma vez que a sétima maior economia, em termos de PIB, possui índices de saneamento básico comparável ao das nações mais pobres do planeta. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico de 2013 mostram que 82% da população brasileira não tem acesso à água tratada. Metade da população não tem acesso à coleta de esgoto e 39% do esgoto coletado não é tratado. Cerca de 15% da população não é contemplada com serviço de coleta de resíduos. O lixo coletado raramente é reciclado, sendo jogado em lixões sem nenhum tratamento, contaminando o solo e a água. Como resultado, a população sofre com doenças de veiculação hídrica ou oriundas do descarte incorreto de resíduos. Exemplo disso são as epidemias de Dengue, Chikungunya e Zika que estão assustando o país.
A campanha tem como tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e como lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). A Campanha da Fraternidade é realizada todos os anos pela Igreja Católica, sempre com um tema social urgente e com ações intensificadas durante o tempo da Quaresma, período de quarenta dias de preparação para a Páscoa, a festa mais importante para os cristãos. Na Quaresma, os católicos aprofundam os exercícios espirituais da oração, do jejum e da esmola e a Campanha da Fraternidade ajuda a lembrar que as práticas religiosas precisa se converter em benefícios para toda sociedade. Em 2016, como já ocorreu outras três vezes na história, a campanha ocorre de maneira ecumênica. Outros temas foram sugeridos, como a violência e a intolerância religiosa, mas a precária situação do saneamento básico no Brasil fez com que o tema fosse preferido pelos representantes das igrejas que integram o CONIC.
Além de ecumênica, a campanha também tem um viés internacional, uma vez que é apoiada pela Misereor, uma entidade dos bispos da Alemanha que trabalha pelo desenvolvimento da América Latina, África e Ásia. Isso mostra que a preocupação com a nossa “Casa comum” ultrapassa fronteiras. Vamos torcer para que as igrejas e os países continuem unidos para enfrentar os problemas de nossa casa comum.
Assista ao vídeo feito para a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.

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