Algumas universidades brasileiras desenvolvem pesquisas de
ponta e contam com excelentes profissionais. Apesar disso, essas universidades não
figuram entre as melhores do mundo. A razão para isso é que as boas
universidades do Brasil não dizem que são boas ao mundo. As universidades
brasileiras produzem poucos artigos científicos em língua estrangeira com os
resultados de suas pesquisas. Assim, o Brasil se coloca à margem da produção
coletiva do conhecimento em nível mundial proporcionada pela globalização.
Quando chegam à universidade, poucos estudantes estão
prontos para desenvolver uma leitura com aproveitamento satisfatório ou
produzir texto em língua estrangeira. Se essa é a situação entre os estudantes
universitários, pior é a situação entre a população em geral. Não é fácil
encontrar alguém que tenha fluência em língua estrangeira. O turista
estrangeiro sofre. Não encontra pessoas que possam lhes dar uma informação. Tem
dificuldade para se comunicar até mesmo com o taxista, o recepcionista do hotel
e o guia turístico. São poucas as placas, advertências e folderes em outro
idioma. Esse é o motivo para que o turismo brasileiro tenha resultados pífios,
apesar da nossa riqueza paisagística, histórica e cultural.
A situação na Áustria é bem diferente. Lá o idioma oficial e
predominante é o alemão. Porém, é fácil encontrar pessoas que falam outros
idiomas, especialmente o inglês. Entre as pessoas mais velhas é mais comum
encontrar quem fala apenas o alemão. Mas é comum que é comum que as pessoas
mais jovens falem inglês. Alguns poucos não são completamente fluentes, mas
conseguem se comunicar. Nos museus as explicações são no idioma local e em inglês.
A situação no restante da Europa é semelhante ao que se observa na Áustria, as
crianças efetivamente aprendem língua estrangeira na escola.
Nas escolas brasileiras, as crianças e jovens estudam língua
estrangeira por pelo menos cinco anos, com duas horas-aula por semana, mas, ao
final, não conseguem estabelecer comunicação. Os problemas são inúmeros, desde
o conteúdo inadequado, que não evolui ao longo das séries, até a falta de
fluência dos próprios professores. É comum ouvir o relato: “todos os anos eu
aprendia o verto to be”. Uma vez eu
fui apresentado a uma professora de inglês que, logo após se apresentar como
tal, exclamou “mas, por favor, não tente falar comigo em inglês que eu não
consigo”. Esses problemas também são observados em escolas particulares. De
modo que só aprende uma língua estrangeira o brasileiro que pode pagar uma
escola de idiomas ou os autoditadas muito aplicados, especialmente os que têm
interesses em jogos, filmes, seriados e viagens internacionais.
Se houvesse uma competição entre Brasil e Áustria, no que
diz respeito ao ensino de língua estrangeira, o ponto iria para a Áustria. Mas,
o Brasil ainda possui bons exemplos no ensino de língua estrangeira. Esse é o
assunto da próxima matéria. Até lá.
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