As árvores do cerrado são
sábias. Aos que as sabem interpretar, elas ensinam grandes lições. No auge da
estação seca, o azul imenso no céu anuncia que as chuvas ainda tardam chegar. Alguns
elementos da paisagem desaparecem em meio à esbranquiçada névoa seca. A noite
fria contrasta com o dia escaldante de modo inacreditável. No calor do dia, o
fogo parece brotar do chão ou surgir espontaneamente na vegetação rasteira. No
meio desse cenário, nem tudo é desolação. Durante a impetuosa seca é que as
árvores do cerrado mostram o que têm de melhor. Florescem e dão frutos. Explodem
em cores e beleza. Comunicando sabedoria aos que podem entender suas mensagens.
As árvores realizam
inúmeros serviços ambientais, mas florescer e dar frutos são a sua principal
missão. Aquilo que as árvores do cerrado têm de mais importante para fazer,
elas realizam no momento mais difícil. Quando florescem e dão fruto em meio à
seca, as árvores do cerrado nos ensinam que é na dificuldade que precisamos dar
o melhor de nós. A dificuldade transforma homens e mulheres comuns em homens e
mulheres de elevado valor. Apresentar nosso melhor em tempo de bonança é fácil.
Legal mesmo é mostrar nosso valor diante da dificuldade. E você, na dificuldade
esmorece ou na dificuldade você é mais forte? Você deixa que suas misérias se
manifestem ou mostra o que há de bom em você?
Quando nos fortalecemos
diante da dificuldade, nos tornamos alento para aqueles que estão próximos de
nós. Fazemos com que outras pessoas também consigam vencer as dificuldades. De
forma semelhante, as árvores do cerrado aliviam os efeitos da seca em outros
seres vivos, oferecem sombra e frescor, alimentam com o néctar de suas flores, com
a polpa e as sementes de seus frutos. Como gratidão, recebem dos outros seres a
polinização e a dispersão de suas sementes. Um lindo processo colaborativo em
que todos saem ganhando, o que nem sempre acontece nas sociedades humanas, nas
quais, geralmente, um é explorado por outro.
Quanto mais a seca avança,
mais diminui o nível dos lençóis freáticos. Diante da escassez da água, as
árvores do cerrado precisam lançar raízes mais profundas. Como é a raiz que
nutre e sustenta a planta, raízes mais profundas significam árvores mais
fortes, mais seguras. Será que nós, diante da escassez, permanecemos mais
firmes naquilo que acreditamos ou abandonamos nossas crenças e valores? Quando
as condições externas são desfavoráveis, as árvores do cerrado deixam de
crescer para fora e crescem para dentro. Será que na escassez nos tornamos
introspectivos, humanamente e espiritualmente melhores?
Parte das espécies do
cerrado, antes de florescerem, perdem todas as folhas, como é o caso do ipê
amarelo. No período de seca, retiram os nutrientes das folhas e conduzem esses
nutrientes para os tecidos que, naquele momento, são mais importantes. Sabem
que, logo que possível, poderão restituir as folhas. As folhas que caem adubam
o solo e permitem outros indivíduos possam se nutrir, especialmente os mais
jovens, que não possuem raízes profundas e buscam nutrientes apenas na
superfície. Assim como as árvores, que perdem as folhas para se concentrar no
que mais necessário, será que sabemos priorizar as atividades mais importantes
de nossa vida? Como as árvores que jogam as folhas fora, será que somos
desapegados o suficientes para jogar fora velhos conceitos e paradigmas? Será
que conseguimos nos desfazer daquilo que nos é supérfluo ou do que já não
precisamos mais? Será que, assim como as árvores que nutrem aos outros com as
folhas caídas, temos a consciência de que aquilo que está nos sobrando não é
nosso, ou seja, que aquilo que já não é importante para nós pode ser essencial
a outrem, pode suprir a necessidade do outro?
Logo após as primeiras chuvas, a vegetação do cerrado muda completamente a sua fisionomia. Os tons desbotados, cinzas e pastéis rapidamente dão lugar a um verde vibrante. A vegetação do cerrado tem uma enorme capacidade de se recompor. Isso nos ensina, que depois de atravessarmos um momento ruim, não adianta ficar lamentando e prolongando a tristeza. É preciso levantar a cabeça, esquecer as coisas ruins e trabalhar com afinco para transformar as coisas ruins em coisas boas.
Logo após as primeiras chuvas, a vegetação do cerrado muda completamente a sua fisionomia. Os tons desbotados, cinzas e pastéis rapidamente dão lugar a um verde vibrante. A vegetação do cerrado tem uma enorme capacidade de se recompor. Isso nos ensina, que depois de atravessarmos um momento ruim, não adianta ficar lamentando e prolongando a tristeza. É preciso levantar a cabeça, esquecer as coisas ruins e trabalhar com afinco para transformar as coisas ruins em coisas boas.
As árvores do cerrado,
como qualquer outra árvore, conseguem viver com muito pouco. Tornam-se enormes,
vivem centenas de anos, apenas com aquilo que podem obter ao seu redor. Quanto
a nós, pelo contrário, nem sempre estamos satisfeito com o que temos. Estamos
sempre a considerar que só podemos ser feliz com algo que ainda não possuímos.
Há cerca de 380 milhões de ano as árvores passam a existir. Retiraram o carbono da atmosfera tornando o mundo habitável para outros seres. Alimentam outras espécies. Servem como moradia ou como amparo. Retiram a água do subterrâneo e devolvem para a atmosfera, contribuindo para as chuvas. Filtram as impurezas do ar e da água. Quietas e discretas, sua existência torna melhor a existência dos outros. E, mesmo na dificuldade, sem dizer uma palavra, muito nos ensinam.
Há cerca de 380 milhões de ano as árvores passam a existir. Retiraram o carbono da atmosfera tornando o mundo habitável para outros seres. Alimentam outras espécies. Servem como moradia ou como amparo. Retiram a água do subterrâneo e devolvem para a atmosfera, contribuindo para as chuvas. Filtram as impurezas do ar e da água. Quietas e discretas, sua existência torna melhor a existência dos outros. E, mesmo na dificuldade, sem dizer uma palavra, muito nos ensinam.
