A primeira lição que o programa Brasília Sem Fronteiras (BSF) me deu é que “a sorte vem para
quem está pronto para ela”. Só ganha na loteria quem registra o jogo. Só passa
em concurso quem estuda. Só tem chance de criar uma empresa de sucesso, quem
coloca em prática seu plano de negócio.
A versão do programa para servidores público inicialmente
ofereceu sessenta vagas. Eu fiquei em uma colocação acima de duzentos. Parecia
que eu não tinha nenhuma chance. Pensei “teria sido uma boa oportunidade, mas
infelizmente não deu”. Porém, houve uma reviravolta. Nem pude acreditar quando
me ligaram dizendo que eu estava sendo convocado para participar do programa.
Explicaram que o governo havia resolvido chamar mais uma turma entre os
aprovados em 2013, porque corria o risco do processo seletivo de 2014 ser
cancelado. Incrédulo, repliquei que mesmo se chamassem mais sessenta, não
atingiriam minha colocação. Responderam, então, que dentre os chamados nas duas
convocações, muitos não apresentaram a documentação necessária e outros
desistiram. Era verdade! Eu estava dentro!
Muitos poderiam dizer “Puxa, que sorte!” De fato, foi sorte.
Até por que o processo seletivo de 2014 acabou acontecendo, mas não puderam
mais cancelar a segunda chamada do processo de 2013. Porém, como já foi dito, é
preciso estar pronto para a sorte.
O processo seletivo teve 50 questões, 25 de inglês e 25 de
conhecimentos gerais. Era necessário acertar ao menos 13 de cada para ser
classificado. Acertei 23 das questões de conhecimentos gerais, mas apenas 13 de
inglês, exatamente a pontuação mínima. Eu não estava com o inglês na melhor
forma mas, por outro lado, fui bem na prova de conhecimentos gerais porque sempre
gostei de ler e de me manter informado. A dificuldade em inglês se deu por
diversos percalços ao longo da vida. Sempre estudei em escola pública, onde não
se aprende inglês de maneira satisfatória, e na minha época o acesso ao Centro
Interescolar de Línguas (CIL) se dava apenas por sorteio. Só tive recursos para
pagar por um curso de inglês quando me tornei servidor público e sempre tive
dificuldade para conciliar o estudo do idioma com as outras atividades da vida
adulta. Minha deficiência em inglês me fez perder pontos preciosos, o que me
tirou das primeiras colocações. Mas meu esforço para estudar inglês apesar dos
percalços, permitiu que eu conseguisse tirar ao menos a nota mínima necessária
para aprovação.
De modo que a sorte chegou para quem tinha se preparado para
ela. Alguém que sempre gostou de ler e se manter informado. Alguém que tem se
esforçado para aprender uma língua, apesar das dificuldades. Para aquele que
está esperando a sorte para progredir na carreira, para melhorar a vida de
alguma forma, afirmo: é preciso dar oportunidade para a sorte. Estude. Se esforce. Você chega lá!
Excelente, Roberto!
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