quarta-feira, 16 de abril de 2014

Informações do Transporte Público de Brasília no Google

A parceria entre o Google, a empresa Logann e o DFTrans permitiu que em 16 de abril de 2014 fossem  publicadas informações do transporte público de Brasília no Google Transit. Isso permite que um usuário do transporte público pesquise as opções de viagens do local onde ele está para onde ele precisa ir. Essa é uma antiga demanda dos moradores do DF e beneficia também aos turistas que passeiam pela cidade, inclusive aqueles que estarão em Brasília para os jogos da Copa do Mundo FIFA 2014.

Para usar o serviço acesse o site https://maps.google.com.br/ . Se você estiver em Brasília, certamente o mapa abrirá centralizando o Plano Piloto. Em seguida, clique em "Rotas", como mostra a figura abaixo:


Depois, digite o local de origem e o local de destino.


O site mostrará o trajeto de carro entre os dois locais. Para ver as informações do sistema de transporte público clique no ícone específico, destacado abaixo:


Aparecerá em destaque a principal opção de viagem, com as linhas de ônibus que você pode pegar e até se é possível utilizar o metrô:


Caso a opção apontada não seja do seu agrado, você pode clicar em outras opções:

O site calcula a duração ESTIMADA da viagem e apontará os próximos horários de partida de cada uma das linhas de ônibus. Atenção, o horário apontado é de saída do ônibus do terminal rodoviário; pode demorar um pouco até que ele chegue no seu ponto de parada.

Estou diretamente envolvido no projeto e aberto a críticas e sugestões. Estamos a cada dia melhorando e atualizando as informações. Ontem mesmo identificamos que o trajeto de uma linha de ônibus estava equivocado e fizemos a correção imediatamente.

É fato que o transporte público de Brasília ainda precisa melhorar MUUUUITO, mas iniciativas como essa mostram que aos poucos as melhorias estão acontecendo. Precisamos de maior vontade política e participação popular para que sejam mais rápidas. O DFTrans espera, assim que possível, disponibilizar informações em outras plataformas, inclusive em seu próprio site. Aproveitem!


domingo, 13 de abril de 2014

Responsabilidade socioambiental: o mau exemplo do Centro Universitário UNIEURO de Águas Claras


Está acontecendo a prova do concurso público do Metrô-DF/2014. Reparem o absurdo dos estacionamentos vazios, enquanto os carros se aglomeram pelo lado de fora.

Em nossa sociedade capitalista os custos das atividades econômicas são compartilhados socialmente. Todos nós sofremos com os agrotóxicos que contaminam o solo e nossas águas; todos nós sofremos com os resíduos que as indústrias lançam nos rios e na atmosfera. No entanto, o lucro permanece na mão dos poucos que detêm os modos de produção.

O Centro Universitário UNIEURO em Águas Claras, por exemplo, recebe um bom dinheiro por alugar suas instalações para a realização de provas de concurso. Mas, por um capricho interno ou falta de organização, não permite que os candidatos deixem seus automóveis em seus estacionamentos. Resultado: os candidatos estacionam em locais proibidos, interditam faixas das ruas internas de Águas Claras e até das vias marginais da EPTG, matam a grama e as mudas de árvore plantadas na rotatória em frente ao centro universitário.

O UNIEURO pode alegar que o uso do estacionamento poderia comprometer a segurança do processo seletivo. Porém, um pequeno investimento em grades ou alambrados em torno do estacionamento resolveria o problema. Mas, assim é o capitalismo, é preciso maximizar o lucro com o menor investimento possível. A sociedade absorve passivamente uma parcela dos impactos negativos.


É preciso repensar esse modelo e buscar a construção de uma sociedade que não se ampare no lucro, mas no bem-estar de todos. As empresas precisam ter maior responsabilidade socioambiental. Isto é, reduzir os custos sociais e ambientais decorrentes de suas atividades econômicas e partilhar socialmente seus resultados. Posso parecer maluco, mas ainda acredito que isso seja possível.

sábado, 12 de abril de 2014

A Engenharia de Tráfego e a cultura da obra em Brasília


A foto acima mostra o resultado da mais nova obra de melhoria do acesso a Águas Claras. Foram meses de obra. Certamente, muito dinheiro gasto. E, no entanto, não houve melhoria. Em Brasília, as alterações no sistema viário não são devidamente planejadas. Não se amparam em pareceres técnicos, mas em critérios político-eleitoreiros subordinados aos interesses das empreiteiras que financiam as campanhas e realizam as obras.

A prova mais vergonhosa de que as obras no sistema viário são feitas sem planejamento adequado é a EPTG. O viaduto Israel Pinheiro, por exemplo, apesar de sua megaestrutura, não consegue desempenhar o papel fundamental de um viaduto: fazer com que as vias se cruzem sem a necessidade de interromper o fluxo de veículos; o viaduto mantém dois semáforos nas vias marginais causando transtornos na hora do rush. No acesso ao SIA, próximo ao córrego Guará, existem duas opções para quem quer entrar no setor, mas não existe opção para quem quer sair em direção ao Plano Piloto. Para fazer isso é preciso retornar no Guará ou seguir por dentro do SIA até a loja Só Reparos, ingressar na EPTG, voltar até o viaduto próximo ao córrego, para então pegar o sentido Plano Piloto. Nos dois extremos da EPTG, na chegada ao centro de Taguatinga e na chegada à Octogonal, o afunilamento da via provoca engarrafamentos praticamente ao longo de todo o dia.

Detran, DER e DFTrans, órgãos diretamente envolvidos na qualidade do trânsito, não trabalham de forma integrada para resolver os problemas de maneira holística. Dificilmente um consulta ao outro quando vai realizar uma intervenção no tráfego. Esses órgãos não possuem sequer softwares que simulam as alterações no sistema viário em um ambiente virtual, antes de realiza-las na prática. O DER encontra-se em processo de aquisição de um desses softwares, no entanto, um dos mais básicos, que não simula operações essenciais, como por exemplo, o impacto da implantação de uma faixa exclusiva para ônibus em uma rodovia, talvez por que esse não seja o seu negócio e quem cuida de faixa exclusiva para ônibus é o DFTRANS. Por enquanto, quando as simulações são necessárias os órgãos contratam empresas para realizá-las. No entanto, como as simulações são caras e complicadas, nem sempre todas as alterações são simuladas. Logicamente que as obras são muito mais caras e é difícil revertê-las, mas em Brasília, a obra deve ser feita e isso não se discute.

Soluções operacionais bem articuladas podem surtir melhor efeito do que as obras. A inversão do sentido da via Estrutural nos horários de rush e as adaptações no fluxo de veículos entre a via Estrutural e Eixo Monumental pela manhã são bons exemplos de como o trânsito pode ser melhorado sem gastar um quilo de cimento. Há cerca de quatro anos, antes das obras na EPTG, os agentes de trânsito conseguiam contornar bastante o problema dos congestionamentos da via fechando com cones alguns retornos e canalizando o trânsito com cones nos principais acessos. Mesmo com os bons resultados, resolveram fazer as obras e abandonaram o hábito de colocar os agentes na rua. As obras não resolveram os problemas e hoje os agentes não são postos na rua. Ficam nas burocráticas repartições tomando café e assistindo TV.

Outro dia, um agente do Detran fez a gentileza de me multar ao lado do colégio COEBS na via Boca da Mata por “ultrapassar carro parado junto ao semáforo”. Recorri da multa por que no local não existe semáforo (será que o agente ganha comissão?). O processo foi parar no setor de ENGENHARIA DE TRÁFEGO do Detran que, segundo eles, existe um semáforo há cerca de 200 metros. Inconformado, medi a distância. São mais de 400 metros, mais do que o dobro do que o medido pela ENGENHARIA DE TRÁFEGO do Detran. Não são eles que planejam nosso sistema viário? Como eles estão fazendo isso se não conseguem nem medir direito o comprimento de um trecho de via?


Para desespero da população, além da incompetência da engenharia de tráfego, em 2014 o Distrito Federal baterá a marca de 1,5 milhões de veículos em circulação, a implantação de ciclovias vai mal, obrigado, e a melhoria do transporte público anda a passo de tartaruga. Pode ser que não exista mesmo a intenção de resolver os problemas, pois, cada problema definitivamente solucionado elimina a necessidade de uma nova obra.