Rollemberg vivia uma vida tranquila e sossegada. O papai, juiz
e ex-deputado federal, garantia tudo o que ele precisava. Restava ao garotão
gastar o tempo com os amigos em festas, passeios ao sítio do pai, banhos no
riacho e bebedeiras – alguns dizem até que usavam umas coisas a mais. Uma vida
sem compromissos, irresponsável e inconsequente. Nesta época, nosso atual
governador era carinhosamente chamado pelos amigos de "Rola".
A vida seguiu assim até que o Rola engravidou a namorada. O
pai o obrigou a casar e para que o filho conseguisse honrar o papel de
um pai de família, usou de sua influência para lhe conseguir um cargo de
analista no Senado Federal – mesmo antes do filho obter o diploma de graduação.
Rollemberg ingressou no partido do pai, o PSB, onde permanece
até hoje. Como a vida sempre sorriu para o Rola, mesmo sem ter sido eleito, obteve
o primeiro mandado de Deputado Distrital devido à licença de Wasny de Roure, de
quem era suplente. E agora, recebeu no colo o Governo do Distrito Federal,
mesmo sem ser uma unanimidade entre os brasilienses, devido ao caos político na
capital provocado pelas principais forças políticas locais. De Deputado Distrital
a Governador, Rollemberg também foi Secretário de Estado de Turismo, Secretário
Nacional de Inclusão Social, Deputado Federal e Senador.
Mesmo sem ter batalhado muito para conseguir as coisas,
Rollemberg já deveria ter alcançado maturidade. No entanto, o senhor governador
cada dia mostra mais que nunca deixou de ser o Rola. Continua sem compromisso.
Sem compromisso com seu eleitor, desonrando promessas de campanha. Sem
compromisso com os ideais de seu partido e com os partidos de sua coligação.
Continua irresponsável, descumprindo decisões judiciais e atrasando salários
dos servidores públicos. Continua inconsequente, ao invés de administrar a
crise limita-se a apontar as falhas da administração anterior. O governador tem
uma oportunidade excelente de mostrar que amadureceu e que é um bom
administrador. É na crise que precisamos do bom administrador. Na abundância de
recursos, qualquer besta consegue administrar.