sábado, 31 de outubro de 2015

ROLLEMBERG CONTINUA SENDO O ROLA

          Rollemberg vivia uma vida tranquila e sossegada. O papai, juiz e ex-deputado federal, garantia tudo o que ele precisava. Restava ao garotão gastar o tempo com os amigos em festas, passeios ao sítio do pai, banhos no riacho e bebedeiras – alguns dizem até que usavam umas coisas a mais. Uma vida sem compromissos, irresponsável e inconsequente. Nesta época, nosso atual governador era carinhosamente chamado pelos amigos de "Rola".
          A vida seguiu assim até que o Rola engravidou a namorada. O pai o obrigou a casar e para que o filho conseguisse honrar o papel de um pai de família, usou de sua influência para lhe conseguir um cargo de analista no Senado Federal – mesmo antes do filho obter o diploma de graduação.
          Rollemberg ingressou no partido do pai, o PSB, onde permanece até hoje. Como a vida sempre sorriu para o Rola, mesmo sem ter sido eleito, obteve o primeiro mandado de Deputado Distrital devido à licença de Wasny de Roure, de quem era suplente. E agora, recebeu no colo o Governo do Distrito Federal, mesmo sem ser uma unanimidade entre os brasilienses, devido ao caos político na capital provocado pelas principais forças políticas locais. De Deputado Distrital a Governador, Rollemberg também foi Secretário de Estado de Turismo, Secretário Nacional de Inclusão Social, Deputado Federal e Senador.

          Mesmo sem ter batalhado muito para conseguir as coisas, Rollemberg já deveria ter alcançado maturidade. No entanto, o senhor governador cada dia mostra mais que nunca deixou de ser o Rola. Continua sem compromisso. Sem compromisso com seu eleitor, desonrando promessas de campanha. Sem compromisso com os ideais de seu partido e com os partidos de sua coligação. Continua irresponsável, descumprindo decisões judiciais e atrasando salários dos servidores públicos. Continua inconsequente, ao invés de administrar a crise limita-se a apontar as falhas da administração anterior. O governador tem uma oportunidade excelente de mostrar que amadureceu e que é um bom administrador. É na crise que precisamos do bom administrador. Na abundância de recursos, qualquer besta consegue administrar.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Brasília pode ficar sem água como São Paulo?

Quando digo às pessoas que trabalho na Caesb, Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal, imediatamente recebo a pergunta: “Temos risco de ficar sem água como está acontecendo em São Paulo”? É bom ouvir isso. A pergunta mostra que, de maneira geral, as pessoas estão preocupadas com a gestão dos recursos hídricos em nossa cidade. E estão preocupadas por que o assunto é realmente sério. A água é um bem essencial e fundamental à vida. Para evitar uma crise hídrica como a de São Paulo é essencial que cada cidadão faça a sua parte. Porém, nem todas as pessoas se deram conta da importância de um uso consciente da água.
Até mesmo dentro da Caesb, onde os empregados recebem maiores informações a respeito do uso consciente da água, ainda existem pessoas que não foram sensibilizadas. Uma vez um colega me disse o seguinte: “Eu não sei por que se fala tanto em economizar água, se todo ano a chuva traz a água de volta”. Essa ideia está completamente equivocada e afirmo isso por que tenho observado há alguns anos a variação do nível na represa do Rio Descoberto, responsável pela água consumida por 65% da população do DF. A cada ano está demorando mais para o reservatório atingir a cota máxima e começar a verter. Há alguns anos atrás era comum o reservatório começar a verter em outubro. Ou seja, a estação das chuvas se iniciava em setembro e com menos de dois meses de chuva a represa já estava cheia. Logo, o reservatório passou a verter em novembro. Depois, em dezembro. Cada ano demorando mais. Neste ano de 2015, já era abril quando a água começou a verter e isso durou somente alguns dias. No passado, ficava vertendo por vários meses.
Todo ano o regime de chuvas varia um pouco. As vezes demora mais a começar a chover. As vezes a chuva vai embora mais cedo. Eu sempre me perguntei o que aconteceria no DF se a estação seca se prolongasse muito. Se em um ano a chuva fosse embora mais cedo e demorasse muito a voltar. Será que teríamos água suficiente para aguentar uma seca prolongada? Já testemunhei o reservatório atingir uma cota apenas 90 centímetros acima do volume morto, a partir do qual, em tese (digo em tese por que em São Paulo este volume está sendo consumido), não poderíamos mais retirar água.
Além da influência climática, outro fator preocupante no DF é o assoreamento dos reservatórios. Toda barragem tem uma vida útil. Com a entrada de sedimentos, cada vez mais sua capacidade é reduzida. Nossos reservatórios são antigos e já estão bastante assoreados. Algumas pessoas dizem: “basta dragar a areia e recuperar a capacidade do reservatório”. Mas isso não é tão simples. Além de ser uma operação cara, ao realizar a dragagem, a qualidade da água é prejudicada, podendo se tornar imprópria para o consumo ou exigindo um tratamento que a nossas Estações de Tratamento de Água não poderá oferecer.

Medidas de proteção dos nossos recursos hídricos precisam ser tomadas e cada um precisa fazer sua parte economizando água. A situação de crise econômica que estamos vivendo é uma boa oportunidade para a mudança de postura. Uma das formas de poupar dinheiro é gastando menos água. Também é possível implementar reservatórios para a água de reuso e para aproveitar a água da chuva. Observe as normas específicas para este tipo de instalação no site da Caesb, onde você poderá encontrar também dicas para economia de água e material educativo. Faça sua parte.