Quando digo às pessoas que trabalho na Caesb, Companhia de
Saneamento Ambiental do Distrito Federal, imediatamente recebo a pergunta:
“Temos risco de ficar sem água como está acontecendo em São Paulo”? É bom ouvir
isso. A pergunta mostra que, de maneira geral, as pessoas estão preocupadas com a
gestão dos recursos hídricos em nossa cidade. E estão preocupadas por que o
assunto é realmente sério. A água é um bem essencial e fundamental à vida. Para
evitar uma crise hídrica como a de São Paulo é essencial que cada cidadão faça
a sua parte. Porém, nem todas as pessoas se deram conta da importância de um
uso consciente da água.
Até mesmo dentro da Caesb, onde os empregados recebem maiores
informações a respeito do uso consciente da água, ainda existem pessoas que não
foram sensibilizadas. Uma vez um colega me disse o seguinte: “Eu não sei por
que se fala tanto em economizar água, se todo ano a chuva traz a água de
volta”. Essa ideia está completamente equivocada e afirmo isso por que tenho observado
há alguns anos a variação do nível na represa do Rio Descoberto, responsável
pela água consumida por 65% da população do DF. A cada ano está demorando mais
para o reservatório atingir a cota máxima e começar a verter. Há alguns anos
atrás era comum o reservatório começar a verter em outubro. Ou seja, a estação
das chuvas se iniciava em setembro e com menos de dois meses de chuva a represa
já estava cheia. Logo, o reservatório passou a verter em novembro. Depois, em
dezembro. Cada ano demorando mais. Neste ano de 2015, já era abril quando a
água começou a verter e isso durou somente alguns dias. No passado, ficava
vertendo por vários meses.
Todo ano o regime de chuvas varia um pouco. As vezes demora mais
a começar a chover. As vezes a chuva vai embora mais cedo. Eu sempre me perguntei
o que aconteceria no DF se a estação seca se prolongasse muito. Se em um ano a
chuva fosse embora mais cedo e demorasse muito a voltar. Será que teríamos água
suficiente para aguentar uma seca prolongada? Já testemunhei o reservatório
atingir uma cota apenas 90 centímetros acima do volume morto, a partir do qual,
em tese (digo em tese por que em São Paulo este volume está sendo consumido),
não poderíamos mais retirar água.
Além da influência climática, outro fator preocupante no DF é o
assoreamento dos reservatórios. Toda barragem tem uma vida útil. Com a entrada
de sedimentos, cada vez mais sua capacidade é reduzida. Nossos reservatórios
são antigos e já estão bastante assoreados. Algumas pessoas dizem: “basta
dragar a areia e recuperar a capacidade do reservatório”. Mas isso não é tão
simples. Além de ser uma operação cara, ao realizar a dragagem, a qualidade da
água é prejudicada, podendo se tornar imprópria para o consumo ou exigindo um
tratamento que a nossas Estações de Tratamento de Água não poderá oferecer.
Medidas de proteção dos nossos recursos hídricos precisam ser
tomadas e cada um precisa fazer sua parte economizando água. A situação de
crise econômica que estamos vivendo é uma boa oportunidade para a mudança de
postura. Uma das formas de poupar dinheiro é gastando menos água. Também é
possível implementar reservatórios para a água de reuso e para aproveitar a
água da chuva. Observe as normas específicas para este tipo de instalação no site da Caesb, onde
você poderá encontrar também dicas para economia de água e material educativo. Faça
sua parte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário