domingo, 15 de março de 2015

SERIA BOM

Seria bom se o preço do diesel e da gasolina aumentasse, não para tentar recuperar a petroleira surrupiada, mas para incentivar o uso do hidrogênio (que deveria estar disponível na bomba), do carro elétrico (que deveria estar na loja e ter postos de recarga), da bicicleta (desde que houvesse ciclovias) e do transporte público (que deveria funcionar).
Seria bom se a conta de energia aumentasse não por causa do acionamento das termelétricas, mas para financiar uma revolução energética que ampliasse o uso da energia eólica e solar.
Seria bom se estivéssemos economizando água e guardando água da chuva não por que a represa já estivesse vazia, mas para prevenir que isso chegasse a acontecer.
Seria bom se o agronegócio não estivesse quebrando por causa da falta de infraestrutura para escoar a produção, mas para incluir o pequeno agricultor no processo produtivo.
Seria bom se os preços dos alimentos subissem desde que fossem aqueles produzidos de forma extensiva. Por outro lado, os preços dos produtos orgânicos deveriam estar sendo reduzidos.
Seria bom que as pessoas tivessem estudado história ou que não tivessem esquecido o que estudaram antes de pedir por uma intervenção militar.
Seria bom que meu povo deixasse de ser corrupto. Que não usasse o carro da empresa para fins particulares. Que não imprimisse a apostila do cursinho na impressora do trabalho. Que não furasse a fila. Que não sentasse na cadeira do idoso. Só assim, purificado da corrupção pela raiz, não permitiria que corruptos chegassem ao poder.
Seria bom se tivéssemos um governo que, ao invés de ignorar os problemas, os reconhecesse, para poder enfrentá-los. Pois só é possível resolver os problemas, quando se reconhece sua existência.

Seria bom se não tivéssemos que sair às ruas para expor os problemas e assim pudéssemos sair às ruas para festejar, para encher as procissões, para encontrar os amigos, para ter um momento lazer ou praticar um esporte. Mas, para isso, seria necessário um povo que soubesse que o domingo da eleição é mais importante que o domingo do encontro marcado pelo Facebook e pelo Whats App.