Como se diz por aí: “Nem Jesus
agradou a todos”. A gente consegue antipatia até mesmo na nobre tarefa de
plantar árvores. Algumas pessoas preferem um tipo de árvores, outras preferem
outros tipos. Algumas reclamam que as folhas sujam as ruas. Outras se aproveitam
a sombra.
Assumi o compromisso pessoal que
plantar árvores em uma área verde em frente ao condomínio em que moro. Algumas
frutíferas, outras nativas do Cerrado e algumas mudas de Flamboyant, que é
nativo da Ilha de Madagascar, mas bem adaptado ao clima brasileiro. O local é
perfeito. Longe de prédios e rede elétrica, a uma boa distância da calçada e do
alfalto. Porém, a tarefa não tem sido fácil, as críticas são as mais diversas.
Em um dos momentos de plantio, um
vizinho parou o carro próximo a mim e reclamou:
__ Ah, então é você quem está
plantando essas árvores aí! Estive conversando com algumas pessoas do
condomínio e elas estão preocupadas com essas árvores. Elas podem crescer
demais, bloquear a luz dos postes e deixar a rua escura e perigosa. Você não
pode plantar em outro lugar? Que árvores são essas que você está plantando?
Pensei: “como pode as pessoas se
preocuparem mais com quem caminha nas trevas da noite do que com quem passa por
aqui no calor do dia?” As árvores, de fato, vão dar sombra para quem passa na
calçada próxima. Nesse dia eu estava plantando patas-de-vaca e respondi:
__ Amigo, fique tranquilo essas
são árvores de médio porte, nativas do cerrado e que se adaptam bem ao ambiente
urbano.
Ele viu que não estava falando com
uma pessoa completamente leiga. Entrou no carro sem dizer mais nada e foi
embora.
Em outro momento, apareceu uma
pessoa perguntando se alguma das mudas que eu estava plantando era de Cedro.
Que ouvira falar que o Cedro teria propriedades medicinais. Que queria uma muda
dessa árvore. Que seria ótimo se eu plantasse árvores com propriedades
medicinais. Enquanto ele falava apareceu outro dizendo que não deveria plantar
árvores frutíferas, que elas fazem muita sujeira. Os sujeitos puxavam conversa
e eu estava interessado mesmo era em terminar meu trabalho. Por sorte, começaram
a conversar com o outro e eu pude deixá-los e continuar trabalhando.
Logo depois apareceu alguém com
opinião um pouco diferente:
__ Quer um conselho? Plante
árvores frutíferas. As pessoas adoram. É muito bom. Veja lá no Plano Piloto, as
pessoas colhem toneladas de mangas, jacas e outras frutas. Sem dúvidas, a
melhor coisa para a cidade é plantar árvores frutíferas.
Por fim, apareceu alguém
aconselhando plantar longe da rede elétrica, que eu regasse sempre e que
colocasse uma cerca de madeira para protegê-las das roçadeiras. Humildemente agradeci
aos conselhos, mas eram redundantes. Eu estava tomando todos esses cuidados.
O mais interessante é que ninguém
se ofereceu para botar a mão nas ferramentas e ajudar a plantar. Nem para
plantar árvores baixas que não atrapalhem a luz dos postes, nem frutífera, nem
medicinal, nem para ajudar a colocar proteção nas mudas. Vivemos tempo de muitas opiniões e pouca prática. Muita gente disposta
a criticar, mas poucas dispostas a arregaçar as mangas.
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