No dia 17 de fevereiro o GDF iniciou a
coleta seletiva de lixo em todo o DF. Você não sabia disso? Não sei se é por
que o GDF estava mais preocupado em trabalhar para você, mas denota uma
tremenda falta de organização e planejamento.
A implementação da coleta seletiva em toda uma unidade da
federação deveria ser precedida de ampla divulgação. Propagandas no rádio, na
televisão e em jornais de grande circulação. Campanhas educativas na rua, nas
escolas e nas instituições públicas. Entrega de panfletos e cartilhas. O povo
deveria ser educado sobre como proceder a coleta e ser informado adequadamente
sobre os dias de recolhimento de cada tipo de resíduo. As pessoas precisavam de
tempo para comprar novas lixeiras e os condomínios para capacitar seu pessoal,
modificar processos, adquirir novos contêineres.
O GDF, no entanto, se limitou a uma parca campanha, às
vésperas do início da coleta seletiva. O restante da publicidade veio através
de notícias, oferecidas não pelo GDF, mas pelos próprios meios de comunicação.
As cooperativas de catadores não foram devidamente organizadas e encontram-se
incapazes de dar destinação final adequada aos resíduos que estão sendo
coletados.
Apesar dos tropeços dos nossos governantes, a ideia da coleta
seletiva é muito boa. Aquilo que chamamos de lixo é fonte de energia e
matéria-prima para novos produtos. A matéria-prima proveniente do lixo é obtido
com menor consumo de energia e água. Quando a matéria-prima é obtida do lixo,
os recursos naturais são poupados e ecossistemas naturais deixam de ser
destruídos. Quando o lixo que é reciclado, ele não contamina nossos solos e
nascentes. A produção de energia a partir do lixo combate o efeito estufa. A
coleta seletiva contribui para o desenvolvimento social e a redução da
desigualdade porque favorece famílias de baixa renda.
Portanto, minha gente, procuremos fazer a nossa parte. A
separação é muito simples: coloque em recipientes ou sacolas diferentes o lixo
seco (vidro, papel, plásticos, papelão...) e o lixo orgânico (restos de comida,
cascas, poda de plantas, lixo do banheiro...). Passe água nas caixas de leite,
caixas de suco, copos de iogurte e outros recipientes recicláveis que carregam
matéria orgânica. Materiais como cerâmica, grampos, clipe e fitas adesivas
podem ser colocados no lixo orgânico, pois, não são recicláveis. Atenção
especial para pilhas, baterias, equipamentos eletrônicos, lâmpadas e outros
materiais que carregam metais pesados. Eles não devem ser jogados no lixo!
Devem sofrer uma “logística reversa” de volta ao fabricante. Informe-se sobre
onde descartar esse tipo de resíduo. Aí vão algumas dicas:
Para você que mora em casa, verifique no site do SLU os dias
corretos de colocar para fora cada tipo de resíduo.
Para você que mora em apartamento, verifique como seu
condomínio está realizando o descarte. O ideal é que hajam dois contêineres
identificados e no dia correto, cada caminhão pega o lixo do seu respectivo
contêiner.
Para alguns poderá parecer complicado, mas, por experiência
própria, eu digo que é bem simples. Há mais de dois anos faço a separação do
lixo em minha residência e hoje ela ocorre de forma bem natural. Até as
crianças já se acostumaram. Os benefícios socioambientais compensam o pequeno
esforço extra.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi promulgada em 2010
e estabeleceu o prazo de quatro anos para a implantação da coleta seletiva nos
municípios. O prazo parece não ter sido suficiente para que o GDF pudesse se
organizar. Sejamos justos: a maior parte dos municípios está mais atrasada do
que Brasília. A capital federal, no entanto, deveria dar o exemplo.
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