Fernando Pessoa
Hoje entrei em
exercício no cargo de Geógrafo na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito
Federal (Caesb). Já trabalhei na Caesb como Técnico em Eletrotécnica durante
quase seis anos. Agora retorno à companhia como analista. Talvez não tenha o
glamour de se tomar posse em um cargo da Câmara dos Deputados ou do Senado, de
se tornar promotor, juiz, auditor ou até de se tornar um empresário de sucesso,
mas foi uma meta que eu estabeleci há alguns anos e, mesmo não sendo o emprego
mais glamouroso, foi o emprego que eu escolhi. Daqui a pouco a meta pode ser
outra. O que faz a nossa vida ter sentido são os objetivos que estabelecemos. Mas
tenho certeza que vou viver bons momentos como Geógrafo na Caesb.
Não foi fácil
atingir essa meta, mas atingi-la fez valer a pena tudo o que fiz na minha vida
até agora. Aos treze anos resolvi fazer o curso de Eletricista Industrial do
SENAI. Foi um ano e meio de curso no turno contrário ao da escola. Depois
resolvi fazer o curso de Técnico em Eletrotécnica. Mais dois anos de estudo. O
primeiro, conciliado com o último ano do Ensino Médio. O segundo, com o
primeiro ano da faculdade e com o estágio obrigatório do curso técnico. Eu saía
de casa às seis da manhã e chegava às onze da noite. Ao terminar a faculdade eu
pensava “de que valeu tanto esforço para fazer o curso de eletricista e o de
eletrotécnico se agora eu vou trabalhar com geografia?” Essa pergunta me
angustiou até eu passar no concurso da Caesb como Técnico em Eletrotécnica,
emprego no qual eu ganhava um salário melhor do que o dos empregos de nível
superior que eu estava conseguindo até então. Através desse emprego conquistei
muitas coisas: carro, imóvel, viagens, melhor qualidade de vida, casamento,
filhos, pós-graduação e mestrado. Mas, passados quase seis anos, havia chegado
a hora de dar um passo a mais na minha vida profissional.
Em 2012, a Caesb
abriu concurso. Uma vaga para Geógrafo. Pensei comigo: “essa vaga é minha”. Uma
afirmativa perigosa. Eu já havia ficado em segundo e em terceiro lugar em
outros concursos para Geógrafo, mas jamais havia sido nomeado. Para garantir era
preciso tirar o primeiro lugar. O trabalho como Técnico em Eletrotécnica, no
entanto, estava puxado e eu não estava conseguindo tempo para estudar. Na mesma
época, fui nomeado no Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTRANS), para um
emprego cuja remuneração era menor, porém, mais tranquilo e com uma carga
horária menor. Resolvi sair da Caesb, reduzindo meu salário pela metade, mas
podendo me dedicar mais aos estudos. Pensava: “se tempo é dinheiro, então não
estou perdendo tanto, por que estou ganhando tempo”. Com o tempo que ganhei
pude me dedicar melhor ao concurso.
O concurso foi
acirrado, cento e vinte e quatro candidatos para uma vaga. Fiquei apenas um
ponto à frente da segunda colocada. Uma doutora em Geografia, com ampla
experiência na área, inclusive como professora na UnB. Mas, minha experiência
anterior na Caesb me ajudou a resolver muitas questões da prova e os títulos de
pós-graduação e mestrado, obtidos durante o período em que trabalhei na
empresa, contaram preciosos pontos.
Uma vez eu li em uma
reportagem que apenas um por cento dos que se formavam em Geografia conseguem
trabalhar como Geógrafo. Não sei se essa estatística é verdadeira, mas sei que
poucos daqueles que se formaram comigo exercem a profissão. Agora, mais do que
nunca, sinto que valeu a pena ter feito tudo o que fiz na vida. Valeu a pena ter
feito o curso de eletricista e o de eletrotécnico. Valeu a pena a experiência
anterior na Caesb. Isso abriu as portas para que hoje eu pudesse exercer a
profissão de Geógrafo. Agradeço a Deus por ter tornado isso possível e a todos
aqueles que estiveram comigo nessa trajetória.
Nós da família Ramires estamos muito felizes por mais essa conquista meu amigo, e sua história de vida nos motiva cada dia mais.
ResponderExcluirUm grande abraço, e que Deus continue te abençoando.
Obrigado amigos. Deus também continue abençoando vocês largamente. Abraços.
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