Como a religião pode contribuir com a agenda ambiental? Ações
adequadas de proteção ao meio ambiente exigem mais do que práticas isoladas e
individuais. É necessário agir coletivamente. As pessoas já articuladas e
mobilizadas para a prática da religião podem enriquecer a causa ambiental. Além
disso, as religiões, de modo geral, oferecem uma visão de mundo pautada em uma
vida humana equilibrada, saudável e feliz, bem como no respeito a todas as
formas de vida, porque a existência da vida testemunha e louva ao criador.
A Igreja Católica no Brasil, por exemplo, já realizou
inúmeras ações voltadas para o meio ambiente. Poderíamos destacar as Campanhas
da Fraternidade, ações em nível nacional realizadas durante o período da Quaresma.
A cada ano é abordado um diferente problema social e em alguns dos temas
abordados tiveram cunho ambiental. Em 2004, a Campanha da Fraternidade trabalhou
o tema “Fraternidade e Água”, pedindo aos fiéis o uso racional e responsável do
recurso. Em 2007 abordou o tema “Fraternidade e Amazônia”, chamando a atenção
da sociedade brasileira para a necessidade de desenvolvimento econômico e social
da região, com respeito ao meio ambiente. Em 2011 o tema foi “Fraternidade e a
Vida no Planeta”, visando alertar que os modelos de desenvolvimento adotados
pelas sociedades humanas são incompatíveis com a manutenção da vida no planeta.
Além das ações das Campanhas da Fraternidade, em muitas paróquias existe a
Pastoral do Meio Ambiente com ações locais voltadas para a redução dos impactos
ambientais negativos. Sabe-se ainda, de um sacerdote da diocese de Rubiataba em
Goiás que recomenda o plantio de árvores aos fiéis como modo de reparação dos
pecados após a confissão.
Nem todos os sacerdotes católicos, porém, estão convencidos
de que a religião e a causa ambiental podem caminhar juntas. Quando aconteceu a
Campanha da Fraternidade sobre a água, questionei a um padre sobre as ações que
seriam realizadas em sua paróquia. Ele respondeu que a campanha não seria
realizada na paróquia por que “falar sobre água não contribui com a
evangelização”, segundo ele. Em outra oportunidade pensei em sugerir a um
sacerdote a criação da Pastoral do Meio Ambiente em sua paróquia. Iniciei a
conversa questionando qual seria o papel da Igreja diante dos problemas
ambientais. Ele respondeu que “a Igreja tem uma preocupação mais urgente que é
a salvação das almas”. Diante da resposta, nem consegui prosseguir com a
proposta.
É lamentável que ainda existam visões como essa entre
religiosos, quando na verdade, o clamor dos ambientalistas está muito próximo
da mensagem pregada pelas religiões. Os apelos pelo consumo consciente e contrários ao consumismo em muito
lembram os estilos de vida austeros de Buda, João Batista, Jesus Cristo, Gandhi
e tantos outros. O amor à natureza e o respeito à biodiversidade está próximo
do amor que São Francisco de Assis demonstrava aos elementos da natureza
tratando-os como irmãos e irmãs, ou do respeito a todas as formas de vida
demonstrado pelo jainismo, cujos monges utilizam máscaras para não inalar e
causar a morte até mesmo de pequenos insetos. A visão ecossistêmica e integrada
dos elementos da natureza muito se aproxima da visão holística presente no
budismo e outras religiões orientais. Ademais, se não aprendemos a amar
a criatura, seremos capazes de amar ao criador? Se não cuidarmos de nosso
planeta, será possível evangelizar e levar a salvação aos refugiados do clima, às
pessoas em guerra pela água, aos que estarão sofrendo pela falta de toda sorte
de recursos?
Mandou bem Roberto!!
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