segunda-feira, 10 de setembro de 2018

QUEM SERIA BOLSONARO, NÃO FOSSE O ÓDIO CONTRA ELE?



   Quem seria Bolsonaro hoje, não fosse ódio de Maria do Rosário? Quem seria Bolsonaro hoje, não fosse ódio de Jean Wyllys? Quem seria Bolsonaro hoje, não fosse o ódio de tantas outras pessoas que não concordam com suas ideias? Certamente não estaria entre os candidatos à Presidência da República com maiores taxas de intenção de voto. Não seria conhecido nacionalmente. Continuaria conhecido apenas no Rio de Janeiro, mero deputado do “baixo clero”, como ele mesmo gosta de se referir aos políticos de baixa expressão.

     Maria do Rosário, Jean Wyllys e tantos outros fizeram com que o nome de Bolsonaro chegasse à grande mídia. A oposição gera polêmica e a polêmica viraliza conteúdo. Bolsonaro e seus seguidores sabem usar o ódio dos inimigos como combustível para o sucesso. São auxiliados pelos algoritmos dos sites de busca e das redes sociais. Quanto mais você detesta o candidato, visualiza seus conteúdos e comenta suas postagens, nem que seja para xingar, mais você contribui para a propagação de sua mensagem na internet. De modo que, no início, as pessoas tinham vergonha de declarar apoio ao candidato. Bolsonaro tinha o apoio aberto apenas de militares e algumas pessoas radicais. Mas, com a divulgação de sua mensagem, com as polêmicas e embates, aos poucos, mais e mais pessoas passam a ter coragem de se pronunciar a favor dele.

     Quem é contra Bolsonaro, não precisa ter ódio. Ser adversário político não quer dizer ser inimigo. De um lado ou de outro, o ódio não faz bem para ninguém. Devemos evitar que nosso país seja tomado pela intolerância no campo político. Como disse o filósofo Mário Sérgio Cortella, Bolsonaro é uma “possibilidade da democracia*”. Sua existência como candidato deve ser respeitada em nome da democracia. Se você é contra ele, apenas não curta, não compartilhe, não divulgue sua mensagem. E espere que ele e suas ideias caiam no ostracismo. Como aquele cantor sem graça, que fez sucesso durante um tempo, mas que ninguém lembra mais.


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