A
madrugada do dia 29 de novembro foi agitada na maternidade do Hospital Santa
Luzia, em Brasília. Nasceram seguidamente sete bebês. Entre eles estava a minha
filha mais nova. Esses bebês vêm ao mundo em tempos difíceis. O crescimento do
extremismo religioso no mundo repete as maiores atrocidades que já ocorreram na
história da humanidade: torturas, sequestros, extermínio, crucificação,
cremação de pessoas vivas, terrorismo, guerra. Outro grave problema é o aquecimento
global, contra o qual não há sinais de ações contrárias em grande escala de
forma efetiva em um futuro próximo, com sérias consequências para a
biodiversidade do planeta e para as sociedades humanas. Nos próximos anos, um
bilhão de pessoas se tornarão refugiados do clima, isto é, aqueles que deverão
abandonar suas casas devido a catástrofes ambientais causadas pelo aquecimento
global. O Brasil está afundado em uma crise político-econômica que, na verdade,
é consequência de uma crise ética e moral, além de sofrer as consequências do
maior caso de corrupção da história da humanidade e do maior crime ambiental da
história do país, com milhares de pessoas sem água, mesmo morando às margens de
um dos mais importantes rios da região Sudeste.
Diante
do quadro desolador, muitas pessoas se recusam a ter filhos. Eu também já
esbocei indagações do tipo “Como colocar filho em um mundo tão cheio de
maldades?” Não planejei nenhum dos meus três filhos. Vieram por razões que
alguns chamam de acaso ou destino. Eu prefiro chamar de providência divina.
Providência que me fez mudar o pensamento. Hoje percebo que as pessoas boas
devem se multiplicar em filhos. Pessoas más estão trazendo filhos ao mundo,
ensinam suas maldades e as multiplicam sobre a Terra. O mundo será melhor,
quanto mais pessoas boas estiverem dispostas a ter filhos, participar
ativamente de sua educação e transmitir-lhes seus valores. Assim, cada um de
seus filhos será semente de um mundo melhor.
Muitos
dos que resolvem ter filhos querem ter apenas um. “Filho dá trabalho”, dizem
alguns. Outros argumentam que “já tem gente demais no mundo, a natureza não
aguenta mais pessoas”. Realmente, se mantivermos o consumismo e o desperdício
nos padrões atuais o planeta não suportará. Porém, as teorias neomalthusianas
esbarram no fato de que hoje existem sete bilhões de pessoas no mundo, é
produzida comida suficiente para dez bilhões e mesmo assim um bilhão de pessoas
passam fome. As projeções mostram que a população mundial deverá chegar aos
onze bilhões em 2050 quando, então, entrará em declínio. O desafio que temos
não é mais o da produção de alimentos, mas o da justa distribuição e combate ao
desperdício. Não ter ou ter apenas um filho tem um lado negativo. A China já
descobriu isso e aboliu a política do filho único. Além de uma sociedade sem os
conceitos de tio, primo e sobrinho, a economia pode se estagnar pela escassez
de mão de obra. Os países com uma taxa de fecundidade abaixo de três filhos por
mulher podem desaparecer em cem ou duzentos anos. Estudos recomendam a taxa de
fecundidade de três filhos para manter uma população estável. É por isso que
países como o Canadá e a Dinamarca incentivam a imigração ou pagam para os
casais terem filhos. Não é sem fundamento que o Papa Francisco disse aos casais
católicos que três é uma boa quantidade de filhos.
Não
devemos temer ter filhos devido ao receio de que não tenham um mundo bom para
viver. Devemos tê-los para tornar o mundo melhor. Ter um só é pouco, dois é
bom, três é melhor ainda.

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